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Autismo: Evoluções de diagnósticos e políticas públicas permitem maior conscientização sobre o transtorno

Por meio da Escola do Legislativo Senador Ramez Tebet, os servidores e público geral puderam acompanhar nesta segunda-feira (6), na Assembleia Legi...

06/04/2026 13h02
Por: Redação
Fonte: Assembleia Legislativa - MS
Psicólogo Thiago Ferraz explicou que o diagnóstico tardio em adultos dificulta a melhoria da qualidade de vida
Psicólogo Thiago Ferraz explicou que o diagnóstico tardio em adultos dificulta a melhoria da qualidade de vida

Por meio da Escola do Legislativo Senador Ramez Tebet, os servidores e público geral puderam acompanhar nesta segunda-feira (6), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, uma palestra sobre a conscientização do autismo, com o especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e mestre em Psicologia Thiago dos Santos Ferraz. Segundo dados do IBGE, cerca de 2,4 milhões de brasileiros têm o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O especialista elencou alguns itens que compõem os sinais de atenção: dificuldade de interação e relacionamento; padrões de comportamentos repetitivos; rigidez, com dificuldades de lidar com mudanças; andar nas pontas dos pés; incômodos com texturas, entre outros. “Não é tão simples de diagnosticar. É mais visível na infância e adolescência, com comportamentos muito diferentes dos demais. Hoje temos pais muito mais presentes, com mais condições de identificar, por exemplo, o atraso de fala. É muito fácil comparar com outras crianças, com auxílio das escolas. Adultos vão ser tratados como antissociais, com manias”, explicou Thiago.

Ele disse que nos últimos 20 anos houve uma grande evolução de informações, diagnósticos, terapias e adaptações, mas que o espectro é um conjunto de sinais e sintomas em vários níveis de suporte, em que a avaliação decorre de uma série de testes, entrevistas com pessoas que conviveram com a na infância e a visão clínica. “É um transtorno do neurodesenvolvimento decorrente de questões multifatoriais, como carga genética, causas ambientais, dificuldades na gestação, cumuladas, em que a ciência continua se atualizando para definir, porque ainda não há uma causa fechada do porquê se é autista”, ponderou Thiago.

Segundo o especialista, as intervenções em terapias contribuem para dar o máximo de independência e autonomia, focando no aumento da qualidade de vida. “Minha mãe falava: na minha época não tinham muitas crianças com autismo. Ou seja, essas crianças são os adultos de hoje, que viveram sem saber que precisavam de adaptação, pois são poucos que conseguem o diagnóstico tardio. O autoconhecimento é importante ferramenta para lidar com o sofrimento. Por que eu faço isso? Por que sofro com isso? É sofrido conversar com as pessoas, atender o público? Cheiros, barulhos, se relacionar para eles têm um custo cognitivo alto, de tensão. Na infância a gente aponta, os pais falam. No adulto não compete o olhar do outro, mas sua observação pessoal”, destacou.

Os autistas de nível 1 de suporte são os mais negligenciados, segundo o palestrante, pois como conseguem ter maior inclusão na sociedade recebem muitos diagnósticos errados, como depressão, ansiedade, como “se a convivência fosse somente baseada no esforço individual”. “Infelizmente o suicídio acomete muito esse público. Por isso a importância de ser conversado, com a promoção da conscientização, não só no mês de abril”, ressaltou.

Mudança da sociedade

Dos diagnósticos registrados pelo IBGE, a maioria foi confirmado aos homens. A psicóloga Luana Medeiros, diagnosticada autista, também usou a fala e detalhou que a diferença é cultural, em que desde cedo as mulheres são ensinadas a passarem despercebidas, a fazer contato visual para prestar atenção. “Somos mais cobradas e ensinadas a ser mais acolhedoras e amenizar comportamentos repetitivos, diferentes da linha da normalidade. A mulher tem hiperfoco em áreas como literatura, artes, psicologia, com comportamentos mais fáceis de mascarar”, ponderou.

A Lei Berenice Piana ( Lei nº 12.764/2012 ) é um marco legal no Brasil que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Luana explicou que é preciso clareza para contribuir com o alcance da qualidade de vida pessoas com autismo e também das que convivem com elas.

Psicóloga Luana falou sobre a diferença cultural imposta a mulheres
Psicóloga Luana falou sobre a diferença cultural imposta a mulheres

“Os autistas têm muitas dores de cabeça, por exemplo, com a dificuldade de lidar com os hiper estímulos. Nas escolas há muito bullying que a gente precisa falar sobre essa exclusão e da falta que políticas públicas que fazem para a melhoria da convivência, não apenas para o manejo de crises. Na vida adulta as adaptações e flexibilidade de demandas e rotinas ajudam a mapear habilidades de cada um, diminuindo os traumas. Minha maior habilidade, por exemplo, é fazer visita escolar e assim minha equipe também tem que saber que quando eu for fazer um relatório eu vou levar um pouco mais de tempo”, comparou.

Ao final, os psicólogos responderam perguntas do público e pediram para que a população exerça o espírito de vida em comunidade, para tratar autistas como se fossem seus filhos, de forma a melhorar a convivência de todos.