Contrato assinado com a Arauco acelera o maior ciclo de investimentos viários já visto na região, impulsionando a economia local
A estrada que liga Inocência a Aparecida do Taboado está mudando de cenário. O trecho de terra que, por décadas, serviu ao produtor rural agora ganha melhorias para atender também à logística de um dos maiores investimentos do setor florestal do país. O Governo de Mato Grosso do Sul avança com novas intervenções na MS-316, ampliando as condições de tráfego e contribuindo para o desenvolvimento da região. Mais segurança à população e rapidez no escoamento da produção.
Esta obra faz parte de um conjunto de investimentos na região, que ultrapassa R$ 608 milhões, entre pavimentação, restauração e outros projetos, desde a malha rodoviária, até intervenções na área urbana. Isto traz desenvolvimento e abre novas oportunidades para as pessoas.
Na quinta-feira (15) o Governo do Estado, por meio da Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) e Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), assinaram com a Arauco Celulose do Brasil o contrato que viabiliza a melhoria do revestimento primário de 35 quilômetros dessa estrada, entre os quilômetros 133 e 168, no trecho que liga Inocência a Aparecida do Taboado.
A MS-316 também integra a malha rodoviária que conecta municípios das regiões nordeste e do Bolsão de Mato Grosso do Sul, como Costa Rica, Paraíso das Águas, Chapadão do Sul, Inocência e Aparecida do Taboado.
Na prática, a Arauco doa 20 mil toneladas de brita, que serão aplicadas pela Agesul com o próprio parque de máquinas do Governo do Estado, para a regularização e o reforço da pista.
O contrato prevê ainda os estudos técnicos e ambientais necessários ao licenciamento e à construção de duas pontes, que serão executadas integralmente pela Arauco: uma no quilômetro 156, sobre o Córrego Grande, e outra no quilômetro 161, sobre o Córrego Morgado. O valor total da doação é de R$ 5.330.606,00, destinado ao revestimento primário e às intervenções na MS-316.

Segurança e custo menor
Para quem vive da estrada, a diferença se reflete no bolso e ao volante. A melhoria do revestimento primário da MS-316 busca oferecer melhores condições de tráfego para caminhões carregados tanto no período seco quanto no chuvoso, contribuindo para reduzir o custo do frete, diminuir as perdas de carga e dar mais previsibilidade a quem depende do escoamento da produção. É a diferença entre uma estrada que trava a economia e uma estrada que permite que ela avance.
A doação é a peça mais recente de um conjunto de investimentos muito maior. Somadas as obras do Estado e as parcerias com a iniciativa privada, a região de Inocência reúne mais de R$ 608 milhões em investimentos viários, que contribuem para estruturar o corredor logístico do novo polo florestal de Mato Grosso do Sul.
É olhando o conjunto dessas intervenções que o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), Guilherme Alcântara de Carvalho, explicou a estratégia para a região. Para ele, nenhuma dessas obras existe isoladamente: é a soma dos investimentos que transforma intervenções pontuais em um corredor capaz de impulsionar a economia regional.
“Essas obras são muito importantes para a região porque, somadas, formam um corredor logístico completo para Inocência, Água Clara, Paranaíba e Três Lagoas. O Governo investe hoje na MS-320, nos últimos 63 quilômetros, ligando Três Lagoas a Inocência, e executa também a MS-316, saindo de Inocência no sentido de Pouso Alto e ligando a região ao município de Paraíso das Águas. Na MS-377, acabamos de concluir um investimento significativo, restaurando cerca de 50 quilômetros e unindo Água Clara a Inocência”, afirmou o secretário.
Infraestrutura de qualidade
Uma das principais intervenções desse conjunto está na MS-316: a implantação e pavimentação de 38 quilômetros da rodovia, no Lote 3, com a execução de três pontes. Financiada com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a obra tem investimento de R$ 145,2 milhões e já alcançou 25% de execução. Esse empreendimento é distinto da melhoria do revestimento primário viabilizada pela doação da Arauco, e ambos contribuem para melhorar a infraestrutura viária da região e da rodovia que liga Inocência a Aparecida do Taboado.
A espinha dorsal do corredor, porém, é a MS-320. O Estado concluiu, em 2024, a pavimentação de 32 quilômetros da rodovia, no Lote 3, com investimento de R$ 111 milhões. Agora, avança a contratação integrada para a implantação e pavimentação dos 63 quilômetros seguintes, também com recursos do BNDES e investimento de R$ 284,8 milhões. Os serviços já alcançaram cerca de 25% de execução. É esse trecho que completa a ligação entre Inocência e Três Lagoas, conectando a região à malha rodoviária pavimentada do Estado.
Na MS-377, que integra a mesma estratégia logística, o Governo entregou, em agosto deste ano, a restauração do pavimento de 48 quilômetros, entre os entroncamentos com a MS-320 e com as rodovias MS-112 e MS-316,com investimento de R$ 34,8 milhões. Na mesma rodovia, avança a implantação de dois acessos, que somam 3,1 quilômetros e garantem a entrada do Projeto Sucuriú, unidade industrial que a Arauco constrói no Distrito Industrial de Celulose de Inocência. Os serviços contam com R$ 27,3 milhões em investimentos e já atingiram 21% de execução.
Investimentos na área urbana
O planejamento também contempla a área urbana. Está em fase de contratação o projeto executivo do anel viário de Inocência, com cerca de sete quilômetros de extensão, ligando a MS-316 à MS-377. A proposta é permitir que o tráfego pesado contorne o perímetro urbano, sem precisar atravessar a cidade.
E o corredor tem próximos capítulos já desenhados pelo governador Eduardo Riedel — de uma negociação com o Banco Mundial à possibilidade de uma concessão na região. O secretário detalhou as iniciativas previstas e em andamento.
“Não estamos entregando obras, estamos entregando um corredor logístico completo para a região. Cada investimento tem hora e lugar no planejamento do governador Eduardo Riedel para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Existe um planejamento na Secretaria de Infraestrutura, coordenado por ele, que abrange desde os projetos que serão desenvolvidos, como o da MS-316, ligando Inocência a Aparecida do Taboado, até as obras que já estão em andamento.
O Estado executa a MS-320, concluindo a ligação de Três Lagoas a Inocência nos últimos 63 quilômetros; já deu ordem de início e está em plena execução a MS-316, de Inocência até Pouso Alto, uma ligação extremamente importante para a região; e desenvolve uma parceria com o Banco Mundial para a restauração da MS-377 e da MS-240, ligando Água Clara a Paranaíba e seguindo até a divisa com Goiás. São investimentos de mais de R$ 600 milhões na região, entre pavimentação, restauração e, possivelmente, uma futura concessão”, pontuou Alcântara.

Modelo de desenvolvimento
Mais do que asfalto e brita, o que o Estado está construindo na região é um modelo de desenvolvimento. Ao longo dos últimos anos, o Governo de Mato Grosso do Sul tem consolidado a parceria com a iniciativa privada como estratégia para viabilizar investimentos em infraestrutura. Nesse modelo, as empresas contribuem para atender às demandas logísticas relacionadas às suas atividades, enquanto o Estado planeja, executa e fiscaliza as intervenções, muitas vezes utilizando sua própria estrutura operacional. A doação da Arauco é mais um exemplo dessa cooperação.
Do lado da empresa, a avaliação vai além do transporte de madeira. Rodrigo Sugske, gerente executivo de Logística Florestal da Arauco, acompanha a operação de ponta a ponta e destacou a importância da infraestrutura tanto para as atividades da indústria quanto para as comunidades da região.
“Essa parceria público-privada se conecta totalmente com o projeto, visando garantir o abastecimento de matéria-prima para a produção de celulose e uma infraestrutura segura — tanto para os caminhões de madeira, que serão os grandes usuários dessa rodovia, quanto para toda a comunidade onde a Arauco está inserida. Nossa preocupação não é somente com a operação em si, com o fluxo dos caminhões de madeira, mas também com a comunidade, com todos os nossos vizinhos. Ser bom cidadão é um dos nossos valores, e queremos que eles também estejam conectados a esse propósito. Quando olhamos para a malha viária do Estado — a MS-377 e a MS-320, que está sendo construída e implantada pelo Estado —, vemos que tudo se conecta, porque essas rodovias fazem parte do nosso mapa logístico de abastecimento da unidade”, avaliou.


Parceria com resultados
A perspectiva, segundo o executivo, é de uma relação de longo prazo com o Estado. Para Sugske, o contrato de doação assinado é mais um passo em uma parceria construída com transparência, na qual as responsabilidades de cada parte foram definidas desde o início.
“Existe um histórico de caminharmos juntos, e a ideia é que essa parceria continue, diante de toda a infraestrutura que está sendo preparada para receber esse grande projeto. Acreditamos que essa rodovia é só o começo e que outras parcerias surgirão. Uma fábrica de celulose é feita para operar por muitos anos e, conforme ampliarmos a exploração dessa matéria-prima, com certeza outras oportunidades de parceria vão surgir”, afirmou.
Ao explicar como essa cooperação foi estruturada, o gerente executivo destacou que a iniciativa partiu da necessidade da empresa e encontrou receptividade do poder público para proporcionar a viabilização das melhorias.
“Essa parceria acontece de maneira muito transparente. Apresentamos nossa necessidade como empresa privada, e o Estado prontamente se preocupou em buscar uma solução conosco, colocando a parceria em prática. Definimos o que caberia à Arauco e o que caberia ao Estado, estabelecendo as responsabilidades de cada parte para que pudéssemos construir essa rodovia e melhorar a malha logística da região”, acrescentou.
O resultado esperado vai além da infraestrutura: beneficia quem mora e trabalha na região. É o produtor que pode gastar menos para escoar a safra, o caminhoneiro que passa a contar com melhores condições de tráfego e segurança, o comércio que pode se fortalecer com a movimentação econômica da fábrica e os empregos impulsionados pelo polo florestal nos municípios vizinhos. Inocência, que um dia foi apenas um ponto no mapa, hoje ocupa uma posição estratégica para os investimentos no setor florestal de Mato Grosso do Sul.
Luciana Bomfim, Comunicação Seilog/Agesul
Fotos: Chico Ribeiro/Seilog
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